terça-feira, 27 de julho de 2010

Édipo e a Esfinge


Venha visitante que em minha sala tu podes entrar.
Deixe de estar ofegante que em meus aposentos podes descansar.
Sente-se e comece a falar, com tamanha ansiedade, meus ouvidos me fazem calar,
Vejo que possui um ar de glória, sujeito acostumado com a vitória...
Digo lhe então que a partir de agora, nada mais lhe pertence, senão,
As lembranças embaralhadas do que vivestes ou não.
Saiba que de seus grandes feitos, nada sobrará
E que de ti, ninguém se lembrará.
Da imponência à indingência, eis o caminho novo a traçar.
E digo mais, digo sem nada dizer, sem uma palavra fazer soar,
Tu não me ouves mas estou a te observar...
Da Etiópia à Tebas caminhei e sobre um mar de sangue naveguei,
Por um momento pensei "Aqui me findarei".
Ainda havia muito o que fazer e naquelas terras não haveria de perecer.
Escute o canto que lhe faz adormecer... Me responda agora ou haverá motivos para temer.

Num esvoaçar de asas, se fez presente e o sujeito sentado inocente
com uma mordida, desapareceu sorridente.

Bons tempos em que existiam esfinges e enigmas,
A resposta, a sabedoria, a inteligência em troca da vida.
Hoje em dia não há nada para ser trocado.
Pobre coitado,
daquele que pela vida é devorado.



terça-feira, 6 de abril de 2010


Quando sentires sede, de ti as àguas se afastarão.
Quando sentires fome, de tuas mãos, os frutos saborosos que das árvores pendem, fugirão.
Tudo que de ti julgares próximo, afastado estará quando o desejo por aquilo em ti se manifestar.
Um castigo? Uma sina? Uma sentença?
Ou talvez tudo isso junto.
Não deseje nada, não anseie por nada, não pragueje a respeito de nada,
nem mesmo o desgosto lhe será permitido.
Seja bem vindo ao Jardim de Tântalo.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010


Geralmente demonstramos através de algo o que nos falta
Detesto fazer perguntas
Pra mim, as pessoas já respondem minhas duvidas através das perguntas que me fazem
Acho isso percepção, vida, coisas vivas são boas, sentimentos vivos... Pessoas... Ninguém gosta de estrela apagada, afinal, quem enxerga uma?
Pessoas que brilham demais são apenas reflexo de algo que não existe, assim como as estrelas que mais brilham no céu...
Brilham sem vida, um brilho que não existe mais... São vistas hoje, adimiradas e apaixonantes...
Porque há muito tempo atrás tiveram sua luz quente e eminente, mas hoje, quando enfim somos capazes de enxergar tal luz, ela já se foi. Muita coisa penso ser assim, quando notamos, ja foi. Resolver viver quando não se tem mais tempo pra isso pode ser mais doloroso do que observar um brilho do passado.

"Reflexos de uma página virada" comentário - Vitor Isidoro

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010


O quão alto é? O quão alto pode vir a ser
Aquele que me rouba as luzes macias do sol...
Quão grande se torna o ego daquele que ao reler o passado, se gaba por não se decepcionar tanto, como quando tenta "viver" o "presente.
E digo ainda, frisando para quem quiser ler: Mais que um desconhecido para sí mesmo, algo além de um olhar curioso vindo
de um espelho é o que se torna o bicho homem com o passar dos dias.
Queriam os Srs. de boa índole conviverem com o alzheimer, assim não sentiriam-se tão desapontados , ao notar que perderam
aquilo que nunca tiveram. O tempo? A vida?
Talvez nem mesmo a memória de que algo há para ser esquecido lhe seja fiel.

Rostos Sem Face - "trechos" - 19/01/2008 _ Vitor Isidoro

terça-feira, 1 de dezembro de 2009


Acendo um cigarro.

Muita coisa acontece nos segundos que intercalam um trago e outro.
Pensamentos vêm e vão, o ponteiro do relógio se atropela e se embriaga de caos
no decorrer monótono de sua jornada cíclica. A contagem do tempo se torna algo
que não se pode negligenciar.As cinzas devem ser postas no cinzeiro em períodos uniformes,
tudo passa a ser muito metódico e calculado, até mesmo a respiração apreensiva que anseia
pela repetição do ato físico de tragar. Ops, o cigarro caiu, perdi alguns segundos ao mergulhar meu braço
em direção ao chão. No seu cair ele deixa marcas, queimaduras, espalha seus dejetos por onde passa.
Minhas mãos não respeitam o galgar dos ponteiros... Mais cinzas... Menos tempo... Menos palavras...
Preciso adiantar logo o texto, pois, em breve nada disso existirá mais.
A fumaça se esvai e deixa o ambiente com uma névoa densa, não consigo se quer, ver o que
se esconde no olhar da imagem que me encara pelo espelho.
Os últimos tragos começam a queimar, vem junto disso a sensação que está prestes a se findar aquela fonte
de pseudo prazeres. Penso, repenso, esqueço, desisto... Não! Não posso acender outro... Não agora...
O último trago se apróxima, da mesma forma como a última linha, como o último segundo.
Caiu denovo, um dedo quase queimado, um último trago quase desperdiçado, entretanto, a fumaça desce
destruindo tudo que no seu caminho se encontra, como um prédio sendo implodido. O fim chega de forma diferente para
ambas as partes.

Apaguei o cigarro.

Um cigarro queima no mesmo compasso que uma vida. Um cigarro apagado, uma vida findada.
Meu cigarro apagou. A vida, a qual acima foi retratada com ele se foi.
E assim tudo continua a seguir seu rumo, a cada minuto vidas indo e vindo
e nós como espectadores de nosso próprio fim.

sábado, 10 de outubro de 2009


Certas coisas não se escolhe, tão pouco se obtem respostas sobre.
Certas situações não mudam...
Aquela voz que não cessa e se ecoa no vazio gritando...
questionando sempre onde tudo irá parar. Mas parar? Será que algo começou a se mover por ali?!
Será que ao menos uma vez tudo realmente existiu além do plano verbal das coisas?
Quantos questionamentos... Quantas divagações podem surgir disso tudo, mas a realidade
é que "deixar estar" já não é algo que possa mudar muita coisa nos dias de hoje, ou mesmo,
fazer com que esperanças tão voláteis toquem o chão.
Nos dias chorosos nos quais o céu se tinge de grafite, um certo alguém surge
em meio a toda névoa e se mantem presente em forma de abraço, uma presença que é capaz
de transpor a linha do real/imaginário. Palavras doces que de tão concretas fazem pesar lágrimas
nos olhos, lágrimas que encharcam de vida todo um corpo maltratado pela inconsequência...

Mais um dia choroso e em meio a toda essa fumaça que se emana pelos meus póros, no intervalo
da tosse, me pergunto: Será que você realmente existe?

Vitor Isidoro - 01:43am

quinta-feira, 1 de outubro de 2009



One of the 2009 Cannes Lions winners!

Short movie SIGNS